Existe uma dimensão absoluta
Em tudo o que é perfeito
Um centímetro a mais ou menos
Na medida mais exata
De tudo o que é puro, sem defeito
Se um mundo qualquer
Coubesse no meu bolso
Na medida mais exata
Sem transbordar
Mesmo à medida
Sem queda ou catarata
Seria esse o tamanho certo do mundo
Que eu podia tirar do bolso
E viver
Num segundo
Texto: Raul Cordeiro
Foto: Rui Santos (Elvas)
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Quando a nossa vida 
É tecida no tear do tempo
Alvora a eternidade
E em laçadas de fios de prata
Um olho hábil
Constrói a nossa figura social
E nossos sonhos em cascata
Surgem tecidos em tom natural
Numa bitonalidade
Entre o amor e o ódio
Entre os tons cinzentos ou coloridos
De um breve episódio
Numa alegre ou triste remexida
Desse breve tempo
A que chamamos vida.
Texto: Raul Cordeiro
Foto: João Carvalho (Igreja da Piedade)
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Certas palavras não podem ser ditas
em qualquer lugar e hora qualquer.
Estritamente reservadas
para companheiros de confiança,
devem ser sacralmente pronunciadas
em tom muito especial
lá onde a polícia dos adultos
não adivinha nem alcança.
Entretanto são palavras simples:
definem
partes do corpo, movimentos, atos
do viver que só os grandes se permitem
e a nós é defendido por sentença
dos séculos.
E tudo é proibido. Então, falamos.
Carlos Drummond de Andrade (in http://chaodecenario.blogspot.com/2011/12/certas-palavras.html)
Foto: João Carvalho (Portalegre, Dezembro de 2011)
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Somos construídos de pouca matéria e muita memória
De pouco presente e muita história
Deram-nos braços para abraçar
Beijos para beijar
Mãos para dar
E um berço de palha para adorar
Somos desde sempre fanáticos por estrelas
Por caminhos e preces
Pela esperança de um dia
Pela luz da poesia
Nascemos todos os anos no mesmo dia Natal
E morremos os outros dias, todos
Levantamos e baixamos os braços
Dormimos em silêncio
Pouco olhamos as estrelas
Esmorecemos aos poucos
Cavamos túmulos e escrevemos poemas
Apregoamos grandes lemas
Mas nem usamos os braços para dizer adeus
Nem bem nem mal
Esperamos quietinhos
Outro Natal
Texto: Raul Cordeiro
Foto: João Carvalho
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Cada um que passa em nossa vida passa sózinho…
Porque cada pessoa é única para nós,
e nenhuma substitui a outra.
Cada um que passa em nossa vida passa sózinho,
mas não vai só…
Levam um pouco de nós mesmos
e nos deixam um pouco de si mesmos.
Há os que levam muito,
mas não há os que não levam nada.
Há os que deixam muito,
mas não há os que não deixam nada.
Esta é a mais bela realidade da vida…
A prova tremenda de que cada um é importante
e que ninguém se aproxima do outro por acaso…
Saint Exupery
Foto: João Carvalho (a caminho de Fátima, Setembro de 2011)
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Não sei se respondo à pergunta
Mas como pode um ano que não foi
Voltar de novo a ser, a nascer
No calendário
De mansinho
No seu próprio aniversário?
É um mistério de si próprio
Suceder-se a si mesmo
Egoísta
Artista
De passes de magia para nascer em si
No outro dia
Texto: Raul Cordeiro
Foto: João Carvalho (Portalegre, Dezembro de 2011)
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