Chuva de Outono…   1 comment

dsc01628O verde ‘Douro’ estava ali atracado sem a vida d’outrora… As águas que escorrem na vertical são incomparáveis ao marejar do horizonte… Desaparece tempestade… Quero apenas o paraíso das tuas águas cristalinas…Como preciso de mergulhar nas tuas ondas…

Banhar-me nas tuas águas azuis celestiais…

Privilegiar da tua beleza em mim.

Leva essas gotas salgadas para longe.

Traz o calor que afaga o coração…

Em súplica, leva esse barco a bom porto, não o deixes imóvel, preso a um qualquer cais.

Navegar é preciso!

 

Texto: Eldazinha in http://vivemosdemomentos.blogspot.pt/

Foto: João Carvalho (2014)

Posted 18 de Novembro de 2014 by João Carvalho in Foto, Pensamentos

Escuta   3 comments

SONY DSCO que as pessoas mais desejam é alguém que as escute de maneira calma e tranquila. Em silêncio. Sem dar conselhos. Sem que digam: “ Se eu fosse você”. A gente ama não é a pessoa que fala bonito. É a pessoa que escuta bonito. A fala só é bonita quando ela nasce de uma longa e silenciosa escuta. É na escuta que o amor começa. E é na não-escuta que ele termina. Não aprendi isso nos livros. Aprendi prestando atenção.

Texto: Rubem Alves em O Mundo de Gaya in http://sirana.wordpress.com/2014/10/25/escuta/

Foto: João Carvalho (Esperança, Arronches, Portugal, 2014)

Posted 15 de Novembro de 2014 by João Carvalho in Foto, Pensamentos

Solidão (devaneios)   2 comments

SONY DSCHá portas na vida que se fecham e se abrem e outras que estão sempre entreabertas como se do outro lado soprasse uma brisa leve que nem fecha a porta nem a abre, mas nos traz beijos de vez em quando.

Alguém disse há uns tempos que a vida é um encontro de solidões.

Eu diria que sim.

É um encontro de solidões que por vezes se encontram e por vezes se separam.

Por muito que quisesse nunca poderei esquecer as brisas que me aquecem a solidão.

Pode ser perigoso abrir ou fechar demasiado a porta.

Agrava a solidão.

Texto: Raul Cordeiro

Foto: João Carvalho

 

Posted 14 de Novembro de 2014 by João Carvalho in Foto, Pensamentos

Mapas   Leave a comment

ferro2A vida não é um simples acontecimento e também não será um mero acto de destino. É algo que acontece dentro de nós, ao nosso lado, à nossa frente, à nossa volta, acontecendo mesmo onde não a vemos acontecer. A nós resta-nos o desafio de a conduzir, e é nessa condição de condutores que nunca devemos esquecer que: não há estrada que nos leve para onde nós não queiramos ir.
Circulamos por cruzamentos, pontes, auto-estradas, caminhos apertados e ruas sem saída. Viajamos a qualquer hora do dia ou da noite. Vamos destemidamente porque o que importa é ir; assumindo sempre que ficar é parar, e parar é morrer.
Caminhos que cruzamos ora em escolhas próprias, ora com indicações alheias, e onde estamos sujeitos às piores tentativas de distração e desencaminhamento; vozes cruzadas que nos juram conhecer o rumo certo.
Agarramos o volante como quem abraça um leme: com força. Fechamos a expressão, trincamos os próprios dentes, e fixamos no horizonte um ponto determinado ( desconhecido ) para alcançar. Navegamos como quem deseja voar.
Seguimos numa rota estabelecida de rumo certo para evitar problemas e horas de aperto. Circulamos sem vontade e sem memória. Desiludidos. Somos senhores de um ar cansado, vendedores de um sorriso, actores de um texto decorado onde a felicidade já nem chega por improviso.

Texto: Tristão de Andrade

Foto: João Carvalho (Santa Eulália, Portugal, 2014)

Posted 13 de Novembro de 2014 by João Carvalho in Foto, Pensamentos

LUSCO-FUSCO   Leave a comment

SONY DSCA escuridão dilui-se devagar na claridade. A luz vencerá, mas essa certeza só chegará mais tarde. Agora, este momento é uma dúvida. A luz e a escuridão dividem-se em forças iguais e o seu duelo parece renhido, apesar de se saber que, todos os dias, a esta hora, o sol começa a levantar-se no mar. Mais tarde, depois de um dia inteiro, será também sobre o mar que tombará. Em volta, apenas o mar, o oceano: tudo existe rodeado pela circunferência desse horizonte.

Os homens da traineira sabem o que têm a fazer. Em terra, ainda dormem aqueles que os esperam. No sono, esses rostos são indefesos e inocentes. Mas não sobra tempo para recordá-los agora, há trabalho por fazer, há redes a precisarem de cuidado. O céu aproxima-se e afasta-se com o balanço do mar. Na distância, estende-se uma superfície de nuvens irregulares que se desnivela com esse ritmo. Os homens da traineira acompanham os humores do mar, reconhecem-nos. Às vezes, sentem que o mar os transporta no ombro, como amigos de tamanhos diferentes; outras vezes, suportam-lhes a ira, escapam-se debaixo dos seus golpes. Nesses dias, é como se o mar quisesse derrotá-los. Gigante, congrega todos os elementos sob o seu poder. O céu e a tempestade obedecem-lhe.

As redes submersas seguram o peso da expectativa. O frio desta hora enrijece as faces dos homens da traineira, barba mal feita, olhos secretos. Debaixo da roupa, rente à pele, apenas o frio húmido, como se escorresse uma camada muito fina da água que se acumula em poças no convés, que se respira, que salga o ar e as palavras que os homens não dizem.

Em terra, ainda dormem aqueles que os esperam. Há momentos em que é preciso lembrá-los, quando faz falta toda a força que se conseguir ter: os filhos que hão-de ser despertados para ir à escola, a casa inteira despertada pela mulher que acorda sozinha na cama de casal, sabendo o que tem de fazer, e que, depois dessa saga, tem de ir para o emprego, aqui, ali ou lá longe, transportada por autocarros, comboios ou silêncio.

Os homens da traineira aceitam esta ondulação mansa, julho de paz, como aceitaram a raiva de janeiro. Apesar do sofrimento, pensam muitas vezes no que seria o mar sem eles, únicos dispostos a suportá-lo, a impedir que se destrua a si próprio. Aleatório, violento e, no entanto, capaz também de ternura desajeitada, capaz também de generosidade que nunca termina, puxada em redes cheias durante anos e anos, vidas inteiras.

Por isso, os homens da traineira sabem que não são melhores do que o mar. Uns e outros têm de lidar com o seu próprio medo. É esse o verdadeiro confronto. Os homens da traineira e o mar partilham a mesma natureza. Só se distinguem por necessidade analítica, por fraqueza do mundo. Na verdade, há muitos momentos em que o mar é os homens da traineira, assim como há muitos momentos em que os homens da traineira são o mar. Fingindo uma espécie de luta, seguem paralelos, sobrepõem-se e atravessam-se, como a escuridão e a claridade neste momento, como um lusco-fusco permanente, perpétuo.

Texto:  José Luís Peixoto

Foto: João Carvalho

Posted 12 de Novembro de 2014 by João Carvalho in Foto, Pensamentos

40.000 visitas   6 comments

dsc0758348 Foto: João Carvalho (31 de Janeiro de 2010)

Posted 6 de Novembro de 2014 by João Carvalho in Outros assuntos

Fatal   1 comment

SONY DSCfatal seria viver

viver sem dor?

seria envelhecer

envelhecer sem angústia?

seria morrer

morrer sem desespero?

e não procurar encontrar sentido para a vida?

seria sentir

sentir sem pensar?

sou um ser uno, poeta do real

objetivo, estático e metafísico

leitor indolente, fatal

 

Texto: Raul Cordeiro

Foto: João Carvalho (Elvas, 2013)

Posted 5 de Novembro de 2014 by João Carvalho in Foto, Pensamentos

Entrelinhas   Leave a comment

SONY DSCQuando reflectimos na entrelinhas da nossa Vida, por entre o que somos e o que não fomos, por entre o que podia ter sido e que foi, a Vida parece um conjunto de reticências incontroláveis. O tempo ensina-nos que o domínio sobre a nossa existência é afinal mera aparência. Mas por muito que os políticos tecnocratas que mandam no país e no mundo queiram, a Vida jamais será um produto da economia , ou uma mera equação matemática, ou uma linha de produção, ou sequer um caminho de sucesso.

Não se deixem enganar! A Vida é o que fica de todas as coisas que vivemos com paixão, com amor, com intensidade. Para lá das reticências impõe-se a verdade da Vida que nos engrandece pelo simples facto de sabermos que existimos!

Texto: Luís Pedro Proença

Foto: João Carvalho (2014)

Posted 4 de Novembro de 2014 by João Carvalho in Foto, Pensamentos

Aqui   1 comment

SONY DSCSe escrevo o que sinto é porque assim diminuo a febre de sentir.

O que confesso não tem importância, pois nada tem importância.

Faço paisagens com o que sinto.

 

Texto: Fernando Pessoa

Foto: João Carvalho (Portalegre, 2014)

Posted 4 de Novembro de 2014 by João Carvalho in Foto, Pensamentos

Saber   Leave a comment

31Não sabemos como os outros nos vêem.

Como nos sentimos e o que aparentamos pode ser ou não a mesma coisa.

 

Texto: Julian Barnes em Os Níveis da Vida

Foto: João Carvalho

Posted 31 de Outubro de 2014 by João Carvalho in Foto, Pensamentos

Parceria com “ElvasNews”. Informação Local e Regional   Leave a comment

prov

Desde já o meu agradecimento ao Portal ElvasNews, por esta partilha.

Um abraço

João Carvalho

 

 

 

Não deixe de visitar: http://elvasnews.com/category/opiniao/ecalma/

Posted 30 de Outubro de 2014 by João Carvalho in Foto, Outros assuntos, Pensamentos

escutar o silêncio   1 comment

dsc080391Esta noite vou ficar sereno na urgência de escutar o silêncio. Não haverá distração capaz de me afastar de mim. Preciso da minha companhia, é fundamental reencontrar cada pedacinho que fui deixando pelo caminho e reconstruir a minha essência. Já me deixei afetar pelos males da cidade, pela crueldade das gentes mas sobretudo pelos pecados do corpo. Serei dono de uma cabeça que aprende na dependência de um coração que sente. Já ouvi palavras certas, senti a mão da justiça e cabe-me agora fazer o que está certo. E o que é certo? Escutar o meu “eu”; mas para isso preciso de estar em silêncio, no meu silêncio para assim conseguir ouvir a voz do meu coração.

Texto: Tristão de Andrade

Foto: João Carvalho (2014)

Posted 29 de Outubro de 2014 by João Carvalho in Foto, Pensamentos

a vela dos meus sonhos   5 comments

10421408_299447080253641_7779607138101823571_nMinha alma era um rio parado, nenhum vento me enluava a vela dos meus sonhos.

Texto: Mia Couto

Foto: João Carvalho (2014)

Posted 26 de Outubro de 2014 by João Carvalho in Foto, Pensamentos

Faz-te à vida !   2 comments

rioFaz-te à vida” é a expressão popular mais filosófica de sempre. Porque condensa, em si, todas as lições que tens de apreender para aprenderes a viver.
Faz-te à vida. Conquista-a, arrebata-a. Envia-lhe flores, pisca-lhe o olho. Seduz a vid…a. E depois apalpa-lhe o rabo, as mamas, beija-a de língua. E fá-la vir-se vezes sem conta.
Faz-te à vida. Antes que a vida te faça a ti.
Antes que a vida te desfaça a ti.”

Texto: Pedro Chagas Freitas

Foto: João Carvalho (2014)

Posted 24 de Outubro de 2014 by João Carvalho in Foto, Pensamentos

Nem barcos de papel   Leave a comment

No lago das minhas lágrimas

Há-de navegar um barquinho de papel

Mensageiro de mim

Um barquinho colorido amarelo pastel

Nele há-de flutuar a minha cidade

E carregar no papel das velas

O nome da felicidade

Ficarei a vê-lo do cais do passeio

Cruzar lento o fundo da rua

E parar espantado e molhado

Nunca lhe ensinaram aquele caminho

Nem o Sol nem as estrelas

Nem a lua…

Nem como navegar sozinho

Nem a navegar à vista ou à bolina

Nem como lidar com o vento depois da esquina.

 

 

 

Texto: Raul Cordeiro

Foto: João Carvalho (Rio Tejo, Salvaterra de Magos, Escaroupim)

Posted 21 de Outubro de 2014 by João Carvalho in Foto, Pensamentos

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Caos   1 comment

10636677_853745424657477_380850984415020272_oSão longas as noites que nascem nas tardes compridas de verão, preparos de momentos que prometemos nunca esquecer e outros afetos que preferimos nem dizer. Há coisas que só servem para serem sentidas. Dúvidas em não saber onde termina a madrugada e onde começa o amanhecer.

Texto: Tristão de Andrade

Foto: João Carvalho (Serra da Penha, Portalegre)

Posted 19 de Outubro de 2014 by João Carvalho in Foto, Pensamentos

Força ferina   3 comments

SONY DSCTalvez porque o mundo
se mostrou frágil
na força ferina
da minha coerência
gritei silêncios
nos balanços das perdas

chorei…chorei

sorrisos porque me lembrei
que no fundo do abismo
a cor do céu
está exatamente no mesmo lugar

antes e depois
de cada fragilidade
da força largada
nos ventos das marés

…com as mãos calejadas
retomo
o trilho a prumo
nos pulsos de fumo
aglomero as palavras
num palrear de persistência
…e remo nas marés contrarias
da indicação do cata-vento!

Texto: Ana Coelho

Foto: João Carvalho (Elvas, Portugal)

Posted 18 de Outubro de 2014 by João Carvalho in Foto, Pensamentos

Passagem do tempo….   3 comments

SONY DSC

 

 

O que é a passagem do tempo

senão a passagem

das sensações dentro de nós ?

 

Texto: Pedro Chagas Freitas

Foto: João Carvalho (Crato, 25 de Dezembro de 2012)

Posted 15 de Outubro de 2014 by João Carvalho in Foto, Pensamentos

Também me custa podes crer   Leave a comment

Assim gasto e usado pela vida
Olhas para mim com desdém
Como se eu para ti
Já não fosse ninguém

É tão grande a tristeza
De ver-te com esse olhar
Que até de mim próprio
Começo a desdenhar

Estou mais velho do que queria
Também me custa, podes crer
Mas a finalidade da vida
É afinal viver ou morrer

Prefiro viver desdenhado
Gasto e usado pela vida
Desde que a teu lado
Possa fazer a despedida

Texto: Raul Cordeiro

Foto: João Carvalho (Estrada do Vedor, Elvas, 2011)

Posted 13 de Outubro de 2014 by João Carvalho in Foto, Pensamentos

Complicado?   3 comments

Estava para aqui a pensar
Que gosto que gostes
De pensar em gostar
Estava para aqui a gostar
Que penso que pensas
De gostar de pensar
Que nada se gosta sem pensar
Nem se pensa sem gostar
Que gostar é tão elaborado
Que merece ser pensado
E gostar tão simples
Que pensar em gostar
Nem merece ser pensado
Complicado?

Texto: Raul Cordeiro

Foto: João Carvalho (Constância, Setembro de 2011)

Posted 9 de Outubro de 2014 by João Carvalho in Foto, Pensamentos

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